O que é inventário e quando é obrigatório fazer

Se alguém da sua família faleceu e deixou bens, você provavelmente precisa abrir um inventário. Entenda o que é, quando é obrigatório e o que acontece se você não fizer.

Por ·Invalid Date·4 min de leitura

Se alguém da sua família faleceu e deixou bens — um imóvel, um carro, uma conta bancária —, você provavelmente vai precisar abrir um inventário. Vamos ao que isso significa na prática.

O que é inventário, sem juridiquês

Inventário é o processo legal de colocar no papel quem fica com o quê depois que alguém morre.

Funciona assim: quando uma pessoa falece, tudo o que ela tinha (imóveis, dinheiro, veículos, direitos) precisa ser formalmente transferido para os herdeiros. O inventário é justamente esse processo — levantamento do patrimônio, cálculo dos impostos e divisão formal entre as pessoas que têm direito.

Sem o inventário, os bens ficam "presos" no nome do falecido. O imóvel não pode ser vendido, o carro não pode ser transferido, a conta bancária fica bloqueada.

Quando o inventário é obrigatório?

Sempre que o falecido deixar bens em seu nome. Não importa se é um apartamento de R$ 800 mil ou uma casa simples em zona rural — se está no nome dele, precisa de inventário.

Os casos mais comuns em Sergipe:

  • Imóvel registrado em cartório (casa, apartamento, terreno, sítio)
  • Veículo em nome do falecido
  • Conta bancária, poupança ou investimentos com saldo
  • Empresa ou quotas societárias
  • Dívidas ativas — créditos que o falecido tinha a receber

Se o falecido não tinha nenhum bem no próprio nome, o inventário pode não ser necessário. Mas isso é raro — mesmo um imóvel sem escritura formal pode precisar de regularização.

Qual o prazo para abrir o inventário?

60 dias a partir da data do falecimento. Esse prazo está no artigo 1.796 do Código Civil.

Quem passa desse prazo paga multa. Em Sergipe, o ITCMD (imposto estadual de herança) tem alíquota de 4%. A multa por atraso é de 10% sobre o valor do ITCMD — e em alguns estados pode chegar a 100%.

Na prática: quanto mais tempo passa, mais caro fica. E além da multa, o processo se complica — documentos ficam desatualizados, herdeiros se dispersam, imóveis mudam de mão sem registro formal.

O que é preciso para abrir um inventário?

A lista básica de documentos inclui:

Do falecido:

  • Certidão de óbito
  • Documentos pessoais (RG, CPF)
  • Certidão de casamento (se aplicável)
  • Documentos dos bens (escritura de imóveis, DUT do veículo, extratos bancários)

Dos herdeiros:

  • Documentos pessoais de cada herdeiro
  • Certidão de nascimento ou casamento que comprove o parentesco

Não se preocupe se não tiver tudo de imediato. Na primeira conversa, o advogado já orienta o que levantar e o que pode ser providenciado depois.

Inventário judicial ou extrajudicial?

Existe mais de um caminho para fazer o inventário, e a escolha depende da situação da família.

O inventário extrajudicial (em cartório) é mais rápido e barato — mas só é possível quando todos os herdeiros são maiores de idade, estão de acordo, e não há testamento. Veja como funciona o inventário extrajudicial em Aracaju.

O inventário judicial (pelo Tribunal de Justiça) é necessário quando há menores herdeiros, testamento, ou algum desentendimento entre as partes. Veja como funciona o inventário judicial em Aracaju.

Para entender as diferenças lado a lado, veja a explicação completa aqui.

E se eu não fizer o inventário?

Nada acontece de imediato — não chega nenhuma notificação, ninguém bate na sua porta. Mas os problemas se acumulam:

  • O imóvel não pode ser vendido nem transferido
  • Bancos não liberam saldos sem alvará judicial
  • Sem inventário, os filhos dos herdeiros (netos do falecido) podem perder o direito à herança futuramente
  • A multa sobre o imposto continua crescendo

Muitas famílias em Sergipe — especialmente no interior, em cidades como Lagarto e Itabaiana — vivem em imóveis herdados há décadas sem jamais ter feito o inventário. Funciona no dia a dia, mas na hora de vender ou regularizar, o problema aparece.


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